Revista Interdisciplinar UNINOVAFAPI, Teresina. v.5, n.3, Jul-Ago-Set. 2012.
          ISSN 1983-9413

Atuação dos Professores às crianças em casos de acidentes na escola
Performance of teachers to children in case of accidents at school
Actuación de profesores a los niños en casos de accidentes en la escuela

 

Adélia Dalva da Silva Oliveira
Mestre em Políticas Públicas. Docente do Centro Universitário UNINOVAFAPI, Teresina, Piauí, Brasil. Email: aoliveira@uninovafapi.edu.br.

Alexsander Galvão Lopes
Especialista docente em terapia intensiva. Teresina, Piauí, Brasil. Email: alexandre@ portalavance.com.br

Joselane Medina Lisboa
Aluna de Graduação do curso de Enfermagem do Centro Universitário UNINOVAFAPI, Teresina, Piauí, Brasil. Email: jhosymedleys@hotmail.com

Débora Maria Lemos Campelo
Aluna de Graduação do curso de Enfermagem do Centro Universitário UNINOVAFAPI, Teresina, Piauí, Brasil. Email:debinha_mlc@hotmail.com

Carolinne Maranhão Melo Marinho
Aluna de Graduação do curso de Enfermagem do Centro Universitário UNINOVAFAPI, Teresina, Piauí, Brasil. Email:carolmarinho05@hotmail.com

Ana Luiza Saraiva Carneiro de Araujo
Aluna de Graduação do curso de Enfermagem do Centro Universitário UNINOVAFAPI, Teresina, Piauí, Brasil. Email:luizzagirl@hotmail.com


RESUMO

Pesquisa de campo, descritiva e com abordagem qualitativa, realizada em uma escola privada, no mês de março de 2012, com professores do ensino fundamental. Teve como objetivos descrever e analisar a atuação dos professores do ensino fundamental sobre as medidas de primeiros socorros em casos de acidentes na escola. Participaram do estudo dez professores, de ambos os sexos, que responderam ao roteiro de entrevista semi-estruturado. As entrevistas foram gravadas em aparelho de Mp3 e posteriormente transcritas. A partir dos resultados obtidos foram elaboradas duas categorias: condutas diante da situação de urgência e emergência na escola e preparo dos professores para atender os alunos em situações de urgência e emergência. Os resultados da pesquisa demonstraram que os professores entrevistados não têm um padrão de atendimento em caso de acidentes na escola, alguns tentam prestar socorro, mas o fazem de maneira incorreta. Com este trabalho, é possível concluir que os professores que trabalham com crianças devem está preparados para atuar em situação de acidentes na escola.
Descritores: Enfermagem. Escola. Acidentes. Professores. Criança.

ABSTRACT

This is a field study with a descriptive and qualitative approach. It was held in a private school, in March 2012, with elementary school teachers. It aimed to describe and analyze the performance of elementary school teachers on first aid measures in case of accidents at school. The participants were ten teachers, of both sexes, who responded to a semi-structured interview. The interviews were recorded in Mp3 player and later transcribed. Two categories emerged from the interviews: attitudes before the situation of urgency and emergency in the school and preparation of the teachers to meet students in urgency situations and emergency. The survey results indicate that teachers interviewed did not have a standard of care in case of accidents at school, some tried to provide relief, but they did incorrectly. With this work, we conclude that teachers who work with children must be prepared to act in situations of accidents at school.
Descriptors: Nursing. School. Injury. Teachers. Child.

RESUMEN  

Esta investigación es de datos, descriptiva y con abordaje calitativa. Fue realizada en una escuela privada, en  marzo de 2012, con profesores de enseñaza primaria. Tuvo como objetivo describir y analizar la actuación de los profesores de enseñaza primaria sobre las medidas de primeros auxilios en casos de accidentes en la escuela. Participaron del estudio diez profesores, de los dos sexos, que respondieron el guión de la encuesta semi-estructurada. Las encuestas fueron grabadas en aparato de Mp3 y posteriormente transcritas. Apartir de los resultados obtenidos fueron elaboradas dos categorías: conductas delante de la situación de urgencia y emergencia en la escuela y preparo de los profesores para atender a los alumnos en situación de urgencia y emergencia. Los resultados de la investigación indicaron que los profesores participantes no tienen un patrón de atendimento en caso de accidentes en la escuela, algunos tentan prestar atendimento, pero no lo hacen de manera correcta. Con este trabajo, es posible concluir que los profesores que trabajan con niños deben estar preparados para actuar en situación de accidentes en la escuela.
Descriptores: Enfermería. Escuela. Accidentes.  Profesores. Niños.


1 INTRODUÇÃO
                                        
Segundo a definição do dicionário acidente significa: "acontecimento casual, fortuito, imprevisto". Nesse sentido se um risco é previsível e providências não foram tomadas para evitá-lo, o evento que venha a acontecer, não será acidente, mas sim e, no mínimo, negligência. No caso de ocorrência de acidente deve-se prestar socorro imediato à vítima para evitar uma maior gravidade diante do caso (FERREIRA, 2010).
Para Martins (2006) os acidentes são definidos, culturalmente, como situações inevitáveis, mas um novo conceito tem considerado acidente como um evento previsível resultando em uma transmissão rápida de um tipo de energia dinâmica, térmica ou química de um corpo a outro ocasionando danos e até a morte.  A necessidade de prevenção é feita com cuidados físicos, materiais, emocionais e sociais. 
No que se refere aos acidentes com crianças, alguns fatores podem estar associados à sua ocorrência, tais como sexo, idade, etapa de desenvolvimento neuropsicomotor, imaturidade física e mental, inexperiência, incapacidade para prever e evitar situações de perigo, curiosidade, tendência a imitar comportamentos adultos, falta de noção corporal e de espaço, incoordenação motora e características da personalidade. Pois crianças e adolescentes estão na fase de curiosidade pelo novo, sem medir as consequências dos seus atos, apresentando interesse em explorar situações desconhecidas o que facilita a ocorrência de um acidente por não estarem preparadas (MALTA et al., 2009).
Primeiros socorros são as primeiras medidas a serem realizadas no local do acidente, evitando maiores agravos, sendo o primeiro atendimento inicial ate chegar a um hospital, para serem implementados maiores cuidados ao acidentado. De acordo com o Ministério da Saúde, qualquer pessoa treinada poderá prestar os primeiros socorros, conduzindo- se com serenidade, compreensão e confiança. Manter a calma e o próprio controle são importantes (BRASIL, 2003).
Em todos os locais de trabalho incluindo a escola devem existir pessoas preparadas e orientadas quanto as medidas de socorros a serem tomadas caso ocorra um acidente ou mal súbito. O ambiente escolar constitui preocupação constante, pois é comum a ocorrência de acidentes e geralmente os professores são os primeiros socorristas, sendo fundamental que estes saibam como agir frente a acontecimentos, como evitá-los e como ministrar os primeiros socorros evitando assim complicações decorrentes de procedimentos inadequados, o que garante a melhor evolução e prognostico das lesões até que o paciente receba o tratamento médico adequado (CODEPPS, 2007).
Para França et al, (2007) em se tratando de acidentes, o tempo é o instrumento fundamental na correlação vida-morte, pois a evolução dos acontecimentos depende da rapidez com que a assistência é prestada à vítima. O socorrista deve saber o que fazer, como fazer e o que não deve ser feito durante o atendimento. Agir com cautela e responsabilidade frente às providências que estão sendo tomadas com a vitima.
De acordo com art. 7° do Estatuto da Criança e do Adolescente, o segmento representado por crianças e adolescentes possui seus direitos garantidos por lei, a partir deste, atualmente, observa-se uma crescente preocupação das instituições públicas e, principalmente privadas de ensino, em garantir esses direitos e, em especial, às questões relacionadas aos acidentes e violências na infância que possam ocorrer no espaço escolar (BRASIL, 2005).
O traumatismo é uma lesão advinda de força, pode ser acidental, auto-imposta um ato de violência que atinge vários sistemas e requer intervenções imediatas e especificas para evitar perda do membro afetado ou da vida. Independente da causa, o traumatismo gera um potencial para complicações significativas e dano que põe em risco a vida. O grau de traumatismo depende da natureza da força e da área do corpo atingida. Em geral, a assistência ao cliente que sofreu traumatismo centra-se no suporte das funções vitais do cliente, mantendo uma via respiratória adequada e oxigenação, corrigindo a lesão e minimizando as consequências das lesões traumáticas (HUDDLESTON; FERGUSON, 2006).
As queimaduras podem ser classificadas em três graus, de acordo com a profundidade das lesões. As queimaduras de 1º grau são superficiais e apresentam apenas vermelhidão da pele e dor local. As de 2º grau caracterizam-se pela formação de bolhas e são muito dolorosas, enquanto as de 3º grau atingem camadas profundas da pele e até mesmo outros tecidos mais profundos e caracterizam-se pela coloração esbranquiçada ou enegrecida e por serem indolores (CODEPPS, 2007).
É importante educar a população em geral e treinar grupos populacionais de risco para agir corretamente diante de um caso de queimadura. Nesse sentido, nos programas de educação para a saúde deve-se incluir o ensino de procedimentos de primeiros socorros ao queimado (VALE, 2005).
O conceito de febre é dado pela elevação controlada da temperatura do organismo, resultante de uma mudança que aumenta a temperatura hipotalâmica estabelecida. A convulsão, ou crise convulsiva, caracteriza-se pela ocorrência de uma série de contrações rápidas e involuntárias.  As convulsões são comuns e podem apresentar- se em uma variedade de situações clinicas. Embora a incidência e a predominância de atividade convulsiva sejam influenciadas por vários fatores, cerca de 1 em 11 pessoas irá, em algum momento experimentar uma convulsão na vida (SCHELL; PUNTILLO, 2005).
Os principais acidentes relacionados a animais são as mordeduras ou arranhaduras de animais domésticos e silvestres e as picadas e outros acidentes por animais peçonhentos como aranhas, escorpiões, marimbondos, abelhas, formigas, lagartas e cobras. As intoxicações podem ocorrer principalmente por ingestão de produtos de limpeza, medicamentos ou plantas, pelo contato com gases tóxicos ou fumaça, ou pelo contato da pele com produtos químicos tóxicos. Acidentes relacionados à corrente elétrica são potencialmente graves, podendo provocar queimaduras graves, alterações do funcionamento do coração (até parada cardíaca), além de alterações pulmonares, neurológicas, músculo esqueléticas e outras (CODEPPS, 2007).

Entretanto, para Liberal et al, (2005) a construção de uma “Escola Segura” é uma tarefa complexa. Uma escola onde a preocupação em se prevenir acidentes e violências seja uma constante, como na estrutura e organização física do ambiente, proporcionando o maior conforto e cuidados na escolha dos moveis, cadeiras, rampas, pisos, banheiros, brinquedos. Enfim todo o espaço escolar para que diminua a incidência de acidentes, estimule hábitos de vida saudável, garanta boa educação, estimule todos os alunos sem preconceito, e que perceba suas dificuldades e os prepare para a vida é, sem dúvida, um ideal que devemos perseguir.
O presente estudo apresenta como objeto de estudo atuação dos professores do ensino fundamental sobre as medidas de primeiros socorros em caso de acidentes na escola. Tendo como questão norteadora: Como o professor atua em situações de acidentes na escola? E como objetivos: descrever e analisar a atuação dos professores do ensino fundamental sobre as medidas de primeiros socorros em casos de acidentes na escola.
Espera-se com este estudo contribuir para o fortalecimento de ações que possam atender as necessidades de atendimento de primeiros socorros a alunos prestados por professores a fim de evitar traumas consequentes de lesões que poderiam ser facilmente amenizadas com iniciativa do primeiro socorro prestado pelo professor que se encontra no local do acidente.

3 METODOLOGIA

Trata-se de uma pesquisa descritiva, exploratória com abordagem qualitativa. Foi realizada em uma escola de ensino fundamental da rede particular de ensino de Teresina-PI. A equipe pedagógica é composta por 26 professores, 01 diretor, 01 coordenador pedagógico de todas as áreas. Participaram da pesquisa dez professores do ensino fundamental que atuam na escola, com faixa etária de 21 a 42 anos, entre homens e mulheres. Foram utilizados como critério de inclusão os sujeitos que tinham mais de um ano de experiência na área e que aceitaram participar da pesquisa por meio da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Este critério de inclusão foi estabelecido por acreditar-se que após um ano na instituição o professor já conheça as normas desta. O número de sujeitos não foi predeterminado, mas obedeceu ao critério de saturação das falas, que considera a repetição dos significados atribuídos. Uma vez que esse ponto de saturação foi alcançado às entrevistas foram encerradas.O instrumento de produção utilizado foi um roteiro de entrevista semi-estruturado que combina perguntas abertas e fechadas onde o entrevistado teve a possibilidade de discorrer sobre o tema proposto, sem respostas ou condições prefixadas pelo pesquisador. As entrevistas foram realizadas pelas pesquisadoras aos sujeitos do estudo individualmente em local reservado e previamente agendado. Para que ocorresse a preservação das falas dos sujeitos, durante a coleta dos dados foi utilizado um aparelho MP3 para que os depoimentos fossem gravados e posteriormente transcritos para análise. Após a realização das entrevistas, as informações foram realizadas buscando conhecer os conteúdos das falas, nessa etapa utilizou-se análise temática de Minayo (2003).

Os dados foram coletados após autorização do local do estudo e do Comitê de Ética e Pesquisa (CEP) da Faculdade de Saúde, Ciências Humanas e Tecnológicas do Piauí – NOVAFAPI, com parecer do Processo CAAE nº 0468.0.043.000-11, respeitando a Resolução 196/96 do CNS/MS. 
A pesquisa manteve a integridade física, social e psicológica dos sujeitos de estudo não submetendo os mesmos a qualquer tipo de risco ou prejuízos. Trouxe como benefícios atualizações sobre a temática pesquisada, bem como a informação do conhecimento dos professores sobre as medidas de primeiros socorros. Esta será enviada em forma de relatório para escola.

4 ANÁLISE DOS RESULTADOS

Os aspectos sobre urgência e emergência foram levantados, através da literatura adquirida e consultada, para que houvesse o desenvolvimento do trabalho de pesquisa de campo. Os significados apreendidos das falas dos sujeitos foram agrupados e formulados em duas categorias: Condutas diante da situação de urgência emergência na escola e encaminhar a criança á coordenação como forma de prestar socorro.

4.1 Atuação dos professores diante da situação de urgência e emergência na escola 

                        Nessa categoria, destacaram-se os seguintes depoimentos:

[...] No caso uma fragilidade capilar se a criança viesse a escorrer o nariz, pegaria a criança, levaria para outro ambiente sempre com a cabecinha levantada, levaria para banheiro, lavaria, eu aqui na escola costumo às vezes colocar gelinho (Dep. 1).

[...] Depende do acidente, se tem um machucado com hematoma a gente geralmente usa o gelo pra baixar o galo, a gente pressiona, tem o hirudoid que a gente usa também (Dep. 8).

  A fragilidade capilar que a depoente 1 se refere é uma epistaxe (sangramento nasal) que pode ser causado por trauma direto no nariz ou por causas clinicas. A hemorragia é definida como a perda de sangue devida ao rompimento de um vaso sanguíneo, que pode ser interna e externa. A interna é caracterizada por ser difícil de reconhecer visualmente porque o sangue acumula-se nas cavidades do corpo, já a externa facilmente visível, pode ocorrer em camadas superficiais da pele por corte ou perfurações, ou mesmo atingindo áreas mais profundas através de aberturas ou orifícios gerados por traumas.
A conduta correta neste caso seria colocar o paciente sentado, aplicando uma pressão direta, apertando as narinas, logo após fazer a limpeza com água. Caso ocorra que a vitima fique inconsciente e incapaz de manter a sua via área, coloca-se em decúbito lateral e prepara para fazer aspiração e limpeza (SANTOS , 2005).

[...] Ah eu seria obrigada a parar a aula e teria que atender o aluno que estaria no caso. Dependendo da gravidade do acidente (Dep. 3).

[...] Um aluno que machuca o joelho a gente leva ao banheiro, lava e usa um remedinho (Dep. 7).

[...] Eu pararia a aula e socorreria o aluno, prestaria os primeiros socorros o que pudesse fazer ali no momento, eu faria (Dep. 10).

O Trauma Crânio Encefálico (TCE) compreende desde as lesões do couro cabeludo até aquelas da caixa craniana ou do seu conteúdo. No ambiente escolar, as principais causas de Trauma Crânio Encefálico (TCE) são as quedas, especialmente de lugares altos e as pancadas na cabeça, que podem ocorrer quando o escolar bate a cabeça em móveis, brinquedos do playground, parede ou porta, ou mesmo durante brincadeiras ou atividades esportivas (BRASIL, 2003).
O atendimento adequado da criança é mais do que a simples aplicação dos princípios de atendimento dos adultos a uma pessoa pequena. As crianças têm padrões de trauma específicos, resposta fisiológica própria e necessidades especiais com base em seu tamanho, maturidade e desenvolvimento psicossocial (PHTLS, 2007).
Durante a infância, as crianças estão suscetíveis a inúmeras situações de risco que podem originar sérios acidentes. Não podemos restringir suas oportunidades de brincar, de explorar novos ambientes, de criar, de ousar, o que prejudicaria seu desenvolvimento. Na maior parte do mundo, o trauma ocupa a primeira causa de morte na infância; daí sua grande importância. Ter em mente que "criança não é um adulto pequeno", não devendo ser tratada como tal (PORCIDES, 2006).

4.2 Preparo dos professores para atender os alunos em situações de urgência e
       emergência

Jovens e crianças estão em um grupo de maior vulnerabilidade na ocorrência de mortes e traumas decorrentes de violências e acidentes. O ambiente escolar representa uma importante faceta desse problema, que é multifatorial, a partir do momento em que crianças e jovens passam grande parte do tempo na escola, onde esses assuntos ligados à saúde devem ser abordados e discutidos (LIBERAL et al., 2005).
Com relação ao preparo dos professores, selecionaram-se as seguintes as falas: 

[...] ai a gente leva na coordenação e toma providencias liga para mãe, para pai, ou liga para o pronto socorro (Dep. 5).

[...] Eu procuraria imediatamente a coordenação da escola, dependendo da gravidade da situação para poder tomar as devidas precauções, ou chamar a ambulância, ou entrar em contato com os pais (Dep. 9).

Observa-se que os depoentes não se sentem seguros a prestar socorro ao acidentado, à primeira atitude é encaminhar o aluno a coordenação. De acordo com as falas dos sujeitos, estes não se sentem preparados para prestar os primeiros socorros, o que, infelizmente, é bastante comum nas escolas. A orientação seria telefonar para os pais e dependendo da situação, para um serviço de atendimento pré-hospitalar e enquanto o os pais ou o serviço não chegava, o professor deveria prestar o atendimento adequado, para minimizar danos ao aluno.

[...] a primeira providencia que nos tomamos é chamar a coordenadora (Dep. 2).

[...] eu já mandaria chamar logo alguém da coordenação para tomar alguma providencia porque eu mesma não saberia o que fazer (Dep. 4).

[...] eu chamava a coordenação e não tentava prestar socorro, eu tenho pavor de ver sangue (Dep. 6).

Em muitas situações, a falta de conhecimento dos professores acarreta inúmeros problemas, como o estado de pânico ao ver o acidentado, que é o caso da depoente 6. Algumas pessoas pensam que na hora da emergência não terão coragem ou habilidade suficiente, mas isso não deve ser motivo para deixar de aprender as técnicas, porque nunca sabemos quando teremos que utilizá-las. Devemos, sempre que possível, preferir o atendimento.
Os socorristas em todos os níveis devem desempenhar um papel ativo na prevenção de traumas para alcançar melhores resultados, não só para a comunidade de forma geral, mas também para eles mesmos (PHTLS , 2007).

5 CONCLUSÃO

A execução deste trabalho destacou a importância do conhecimento dos professores para atuação frente às situações de primeiros socorros nas escolas e, observou-se que os mesmos não possuem condutas adequadas para tal situação.  Seria essencial um treinamento ou um curso pelo menos semestral com orientações para qualificar os mesmos de maneira que os tornem aptos e seguros à tomada de decisões, atuando corretamente, de modo a garantir a sobrevivência da vítima sem o agravamento do seu estado antes da chegada do socorro profissional.
Conclui-se que a contratação de um enfermeiro na escola seria necessária, pois em situações de emergências com crianças todos podem ajudar, mas o profissional de enfermagem tem o preparo necessário para prestar o primeiro socorro com mais segurança e eficiência. Além de prestar o primeiro atendimento às crianças, o profissional poderá orientar professores e demais integrantes da escola com a intenção de prevenir novos acidentes.


REFERÊNCIAS

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